Acabei de sair do cinema depois de assistir a Super Mario Galaxy: O Filme, continuação que chegou cercada de expectativa após o enorme sucesso do primeiro longa, que ultrapassou a marca de um bilhão de dólares em bilheteria. Justamente por isso, a experiência que tive antes mesmo de o filme começar já me causou estranhamento: na sessão em que fui, havia apenas eu e minha irmã na sala. Considerando os números iniciais que apontavam um desempenho próximo ao do filme anterior, a baixa presença de público me chamou bastante a atenção.
Por outro lado, a sala vazia acabou criando o cenário ideal para observar a produção com mais calma. E talvez tenha sido justamente isso que tornou seus problemas ainda mais perceptíveis.
Visual impecável, mas sem o mesmo encanto
O filme tem pouco mais de uma hora e meia de duração, mas, em alguns momentos, passa a sensação de ser mais longo do que realmente é. Diferente do primeiro longa, que conseguiu se apoiar fortemente no carisma dos personagens e no fator nostalgia, Super Mario Galaxy: O Filme não repete o mesmo impacto. E isso vem de alguém que gostou do antecessor e que carrega uma ligação afetiva com a franquia desde os tempos do Super Nintendo.
Tecnicamente, é difícil encontrar defeitos. A animação é belíssima, o acabamento visual é excelente e o universo colorido da franquia continua muito bem transportado para o cinema. Nesse aspecto, a produção entrega exatamente o que se espera de uma adaptação moderna da Nintendo. O problema está menos na forma e mais no conteúdo.
Peach ganha destaque, enquanto Mario perde espaço
Desta vez, a narrativa parece concentrar atenção demais na Princesa Peach, o que acaba deixando a trama mais arrastada do que deveria. Para um filme que carrega o nome Super Mario, a sensação é de que o próprio Mario perde espaço demais dentro da própria aventura. Ele está presente, claro, mas não ocupa o centro emocional e narrativo do longa da maneira que muitos esperariam.
Essa escolha enfraquece parte do apelo da obra. Afinal, por mais que o universo da franquia seja vasto e permita explorar diferentes figuras, existe uma expectativa natural de que Mario continue sendo o grande eixo da história.
Uma aventura funcional, mas genérica
A história segue uma estrutura bastante simples: a Princesa Rosalina é sequestrada, Peach é chamada para ajudar, Mario entra na missão após o castelo ser levado, e todos acabam convenientemente se encontrando na galáxia para enfrentar Bowser e seu filho. Funciona como premissa básica para um filme infantil, mas falta algo que realmente dê peso à jornada.
Tudo parece acontecer de forma rápida e conveniente demais, sem construção suficiente para envolver o público mais velho. Falta impacto, falta desenvolvimento e, principalmente, falta aquele senso de aventura memorável que uma adaptação desse porte deveria transmitir.
O problema não é ser infantil
É evidente que se trata de uma animação voltada para crianças, e isso por si só não é um problema. O ponto é que, quando falamos de Mario, também falamos de uma franquia que atravessa gerações. Por isso, é inevitável que parte do público mais velho espere encontrar não apenas uma aventura divertida, mas também um mínimo de profundidade, carisma e respeito à trajetória construída pelos jogos ao longo de décadas.
O primeiro filme conseguiu equilibrar melhor esse aspecto, entregando uma experiência mais charmosa e envolvente. Já aqui, a impressão é de que o longa se apoia mais na força da marca do que em uma história realmente inspirada.
Galaxy cedo demais?
Talvez esse novo filme funcione melhor para quem cresceu em gerações mais recentes dos consoles e tem uma relação diferente com a marca. Para quem buscava aquela nostalgia mais forte dos jogos clássicos, porém, a experiência pode ser frustrante.
Fica a impressão de que a franquia pulou etapas importantes demais ao chegar tão rápido em Galaxy. Se houvesse uma construção mais gradual entre os jogos e fases da série antes de adaptar esse arco, talvez o resultado agradasse mais também ao público veterano. Em vez de soar como um grande evento, o longa parece apressado na tentativa de alcançar uma escala maior sem antes consolidar melhor o caminho até ali.
Vale a pena assistir?
No fim, Super Mario Galaxy: O Filme é bonito, comercialmente forte e provavelmente ainda será um grande sucesso de bilheteria. Não seria surpresa nenhuma vê-lo ultrapassar novamente números impressionantes. Ainda assim, bilheteria não é sinônimo de qualidade. E, neste caso, o filme parece muito mais interessado em repetir a fórmula de sucesso do que em construir algo realmente memorável.
Para mim, a nota final é 6/10. Não chega a ser um desastre, mas está longe de empolgar como deveria. E, sinceramente, depois dessa experiência, o próximo filme da franquia eu prefiro esperar chegar ao streaming.
Se a proposta era conquistar quem busca magia, aventura e nostalgia, o resultado ficou abaixo do esperado. E isso, para um filme do Mario, é talvez a maior decepção de todas.


